mês de férias escolares e frio latente. noite de fogueira, cerveja e histórias. contada ali, frente ao fogo e entre árvores e mato, a nossa parecia quase um poema. o jeito como a gente se olhava, como sempre te encontrava, a forma perfeita. qual rima romântica, métrica parnasiana com direito a quebras de linha modernas e lirismos do século passado. mas terminava em ponto final sem reticência que me deixava sem margem, sem fôlego, sem chances.

sempre gostei de contar histórias, explico, enquanto, sentado sobre folhas e mato seco, invento uma história bonita, daquelas que fazem as estrelas brilharem um pouco mais enquanto a fogueira esquenta a gente. ignoro as horas que passam e conto para a madrugada sobre aquela garota que me encantava qual eterno sábado. os dias passam, afinal. queria, ainda, ter um sorriso sincero e quente como aquela chama vermelha entre latas de cerveja vazias e lenha. sem histórias de terror.

 



Escrito por .mensonge às 19h38
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mal-rasgado

Guardou com carinho os bilhetes rabiscados em algum canto de destaque tímido naquele quarto tipo porta-treco.

Sem cerimônias, recuperou velhos sentimentos em forma de letra fraca, de grafite velho e letras de forma, como se as frases continuassem a ter determinadas relevâncias para o quase sempre entre o dia em que os guardou e a última saudade que teve daquele escrito do inverno passado.

Sentiu um alívio quando não se prendeu às declarações velhas, numa tarde bem fria de uma segunda-feira de junho.

Pôde rasgar alguns bilhetes. Mesmo que o mais importante deles tenha sigo mal rasgado.

"Já é um começo", pensei mais de vinte quilômetros dali.

O bilhete dizia algo como

E fui tomar um porre quente sem saber se as rebarbas daquele bloco sem pauta ainda guardavam um pedaço de algum tipo de amor.



Escrito por .mensonge às 14h36
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não adiantava tanta proteção, linha de três volantes, zagueiros recuados. sempre algum espaço iria sobrar.
desse jeito percebeu que não adiantava desenhar esquemas táticos e prever o futuro em cartas ou búzios.
era sempre desprotegido quando chegava a hora crítica.
sempre como soco no estômago.

tentava o contra-ataque, a retranca, o tudo por tudo.
no fim se conformava com pontinhos de empates e vitórias em casa.
não precisava de grandes títulos, fama, troféus.

mas seguia em pontos corridos em tabela onde cada jogo era como final.



Escrito por .mensonge às 01h49
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evito as contagens, as lembranças, as previsões.
sigo as trilhas fáceis, os sinais positivos e as placas de trânsito.
canto refrões populares e guitarra de acordes básicos.
tudo pode ser mais fácil nesse mês que passa rápido,
sem as revoluções de maio, longe das promessas de janeiro.
tudo pode ser fácil como já foi um dia,
antes dos desencontros, dos acasos, das mentiras sussurradas ao pé do ouvido.
podia ser tão simples como eu queria e realmente acreditava.


o passado sempre parece melhor.


como este sonho recém-esquecido.

por isso emolduramos quadros.
retratos antigos nos trazem novos sorrisos.

e olhar aqueles dias me fazia pensar que tudo podia ser sempre tão fácil
e tão bonito
como o primeiro amor e nosso beijo no cinema.



Escrito por .mensonge às 02h36
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            s e m p r e

- é bonito o céu assim.

falou sem pensar. sem fitar meus olhos que buscavam com um pouco de sono o mar distante. distraídos, ambos. seis horas, manhã fria, vento forte, outono recente e deslumbramento no céu e na terra.

- acho que sim.

então um silencio que não pude medir.

- você tá triste?
- não sei. estou pensando nas coisas.

acho que nessa hora ela tentou pensar também. nas coisas da vida.

- em nós?

apertei um pouco mais sua mão. mas não busquei seus olhos. não precisava daquela visão, não naquele momento. o mar estava calmo. a rua deserta ecoava o barulho do vento. o cabelo dela se agitava e batia no meu ombro. meu olhar se fixava na mistura de cores primárias, lembrava das aulas de arte no colégio e de poemas diversos. e em algum ponto ali os olhos dela talvez buscassem os meus sem encontrar resposta, para a busca e para a pergunta que fizera, inocente.

- estou tentando não pensar em nada.
- ah. o nirvana.
- isso é só uma banda ruim.

soltou minha mão. devagar. deixando que eu sentisse o frio de sua ausência. engoli em seco. em meus olhos um esboço de lágrima. ficaria só nisso. secava com o vento forte. não sabia se buscava novamente o toque doce, um abraço forte, um olhar perdido. na dúvida me agarrava ainda a um pôr-do-sol de esperança. lado a lado debaixo do mesmo céu vermelho-azulado, compartilhando horizontes em madrugada de outono solitário.
eu queria a liberdade incerta do viajante do mar, levado pela correnteza, sem decisões, sem âncora, sem medos. mas tinha a leve melancolia do náufrago abandonado, da mensagem na garrafa e dos navios afundados.

- nirvana não. ponto de equilíbrio.



Escrito por .mensonge às 01h59
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.sopro no café

Esperei o pão na chapa e o café, muito mais quente que o tradicional. Virei e disse a ela que deus tinha um plano para cada um de nós. Que quando perdemos alguém na terra ganhamos alguém no céu. Senti uma paz estranha, mas suprema e elevada depois de mentir tão descaradamente, quando seus olhos claros e, aquela altura, lavados de lágrimas, exibiram um azul que nunca havia notado. Provavelmente nunca voltarei a notar.
Não acredito que exista um plano, destino ou coisa pré-estabelecida, guiada por sentidos elevados e superiores. Nem que o céu seja povoado por egos, reunidos com tal força que emanem, transitem, chamem. Não acredito.
E é quase insuportável para alguns, saber que estamos irmanados nisso. Que talvez não exista função, missão ou coisa do gênero, e que sabemos que o outro vai, assim como você irá um dia.
Saber dessa fragilidade de repente criou uma urgência.
- O mundo está acabando...
- O mundo? Que mundo?
- O meu mundo...
‘Tenho pressa porque meu tempo é quanto falta para minha partida. Sou um relógio em contagem regressiva, uma bomba com data para explodir’.
- Cuidado para não detonar tudo antes. Ir pelos ares sem que tenha bebido a última cerveja de maio com os amigos.
- É que deus está arrependido.
- Está?
- E para que acha que servem as madrugadas?
Ajoelhou.
Implorou perdão e misericórdia. Fez com que sua fé na morte preenchesse as lacunas da tua descrença na vida. E sobrou cadáver, vagando por mais um punhado de décadas recheadas de inovações tecnológicas.



Escrito por .mensonge às 16h20
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la vida después de usted - passional reciente

No sé lo que tenía derecho
Mas tenho certeza que soubera de tudo

Ha tomado la brisa que sopló del norte
Como se o vento calmo fosse feito para nós

Regalo intenso, pasado incierto
Futuro que chega sem tanto mistério

Que bate en nuestro pecho fuerte
Como se formássemos uma só rítmica de amor



Escrito por .mensonge às 14h40
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o tempo que tudo é pouco

(ou ode à junho - ato e óbito da folha de calendário)

Dias primeiros costumam ser os primeiros dias.

Desde abril, de mentira.

De maio, do primeiro frio compartilhado.

Ou de junho, muito mais gelado, porém não menos quente.

Como se a folha que cai do calendário tivesse o mérito de fazer da noite especial.

Ou se apenas fosse a metáfora de uma real folha que cai ou nasce em alguma parte de mim.

Feito as que caíram no último outono.

Ou que nascem já esperando a primavera próxima.

Enquanto isso, trocamos as mãos no inverno.

Sob o termômetro dos onze graus:

um beijo.

Doce.

De frio, de calor, de razão, de amor.

Mas doce.



Escrito por .mensonge às 12h05
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 [não faça nada]

intrigava-me a palavra de ordem estampada na parede maltratada daquela esquina esquecida.
era como um mantra e fazia com que, diariamente, ao passar por ali, eu me recolhesse e pensasse em análises matemáticas e quânticas do estado das coisas. que não mudavam muito conforme passavam os dias.

mais um domingo e vai-se maio, sem deixar saudades ou revoluções que remetam à história do mundo.
do meu mundo.

os acontecimentos parecem sequência-polaróide, instantâneos sem graça logo substituídos por outros e abandonados a esmo pelo caminho.

passa a patrícia, a amanda, passa a sem-nome da balada de sexta-feira, a andressa, ou andréia, passa o metrô da volta pra casa e passa o domingo do futebol na tevê.

não passa aquela dor que não se sabe de onde vem, aquela vontade inexplicável, aquela inquietude, angústia sem pressa e melancolia inspirada em poemas de neruda e filmes franceses.

acordo com gosto de ressaca e saliva seca na boca, o rádio relógio gritando em desespero a lembrar mais um dia de labuta pela frente.

os lençóis desarrumados como minhas lembranças, como o dia de ontem, como os problemas do passado, os telefonemas da noite e as brigas de sempre. desarrumados como os últimos tempos, que passam sem qualquer coisa que possa pôr tudo em ordem como em dias dos quais nem me lembro. eu, um obcecado por datas que perdeu no calendário os dias em que a vida parecia não ter tantos silêncios constrangedores e ressacas eternas.



Escrito por .mensonge às 23h28
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E logo eu, devoto, defensor da mentira. Militante da ficção, do irreal, apunhalado por uma de meia grandeza. Peça pregada com cuidado.
Mentira que não é compartilhada perde a graça. A abstinência de concretizar apostas em posições firmes e certas não deixa caminhos, sobra raiva, rancor e falta de entendimento.
E por mais que a boca se abra de forma eloqüente e despeje um punhado de tristezas amarradas por orações mal formuladas, provar do seu próprio veneno parece como correr numa sala sem portas nem janelas.
Politizadas, pessoas procuram o equilíbrio entre suas bestas internas e dose homeopáticas de hipocrisia.
E essa tua mentira jogou fora toda culpa que carregava em minhas costas. Meu álibi, minha chance de ser o mártir do nosso amor desmoronou. Tu não me deixaste nada, nem a possibilidade de ser culpado por tudo. De carregar todo peso da falha. Não posso mais chorar sincero ... minha mentira suja não passa de mais uma verdade seca.



Escrito por .mensonge às 18h14
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ela faz cinema.

não gostava de cumprimentos. preferia pular essa parte. e também as despedidas. quase que deslizava por entre as pessoas, conversas furtivas, poucas palavras, um tanto enigmática, mas sempre clara. aparecia de repente, sumia sem rastros. falava pouco sobre si mesma. dos outros arrancava confissões, suspiros e paixões platônicas. não correspondia. em seu andar não olhava muito para os lados. examinava o chão, cada rachadura, os desenhos dos azulejos, os rastros, tudo tão concreto em subjetividade. tenra, juvenil, meiga como poema de vinícius. mas era soneto sem métrica, poesia sem rima, prosa sem pontuação. simplesmente passava por cima de tudo e todos, sem objetivos, preenchendo as páginas sem roteiros pré-prontos. certamente não deixaria certezas, mas inspiraria devaneios, apareceria em livros e músicas, seria personagem de outros e de todos.

somos todos personagens de nós mesmos.

e na minha história, ela era só mais uma. mas parecia sempre deslizar nos planos de fundo, como figurante ou cenário, fazendo-se presente.

mas sem aparecer nos créditos finais.



Escrito por .mensonge às 02h29
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.presenteia

 

Faça das nossas noites, vossos textos. Dos meus beijos tuas rimas e dos meus abraços tuas frases cheias de metáforas. Faça do meu medo teu ponto de interrogação e do meu apego tua exclamação. Junte minhas sílabas com as tuas. Escreva todas na mesma linha, não as separe jamais.

Teus olhares se transformarão no maior esforço do encaixe de palavras perfeito, como dos nossos lábios se unindo em melodia leve.

E o passado vira presente e futuro, e eu te jogo cara a cara com esse sonho bom. A gente se vê nas coisas simples, no sol entre as árvores e no casal de gatos vadios. E você se vê no meu próximo parágrafo.

Não sei quando decide fazer de ti, estrofes minhas. Quando teu abraço passou de conjugado no singular para o nosso plural. Minha oração é subordinada a ti, minhas preposições propõem uma série de contatos físicos. Complete as lacunas com teus adjetivos de menina-mulher. E me encontre no nosso ponto final.



Escrito por .mensonge às 23h16
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.Blue Note




Para ser sincero o sem-número de estações de rádio perdeu a graça nos últimos dias de poluição e excesso de raios de sol. Nem as novas do esporte, tampouco as eloqüentes experiências musicais de uma revigorada MPB tem desprendido qualquer reação, ou gerado qualquer debate interno um pouco mais atento.
Nenhum problema com o meio de comunicação que substancialmente mais me interessou desde sempre. Verdade seja dita, justiça seja feita, troquei as freqüências moduladas por uma programação menos variada. Um ensaio de tis, nós e com maior freqüência nas últimas viagens da ausência deles.
Deixei que as pilhas esgotassem e acumulassem, esquecidas em bolsos e compartimentos escuros. Canto teu samba, nosso refrão, notícias nossas, bossas novas. Ouço o resumo dos episódios da semana de nosso seriado romântico, ainda que eu nunca tenha visto capítulo qualquer. Auto-entrevista no jornal das 7h. ‘E então cara? Quando assumiu essa necessidade física, orgânica? Quando fez de seus pensamentos, reféns de outra pele?’. E a fala fica muda e nem bloco nem caneta encontram resposta para essa novidade de mil cores. Ainda que o máximo das tuas juras seja a simplicidade de um sorriso diário.
Uma porção de caminhos e opções quando só queria era ser levado. Como pedaço de madeira velha, atirado no rio, arrastado pela correnteza das águas mais turvas, dos acontecimentos mais lineares.
Meu rádio sem pilha nem botões começa a falhar, enfrenta a interferência dos milhões de pensamentos de uma avenida excessivamente movimentada. Entra no metrô, o calor, cansaço, até que teu sinal vai se perdendo em meio a vagões e só resta um chiado baixo, triste. Como aquele jazz tocado na última madrugada.



Escrito por .mensonge às 11h17
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algum dia, maio, 2008

no rádio, as últimas notícias vinham na voz sóbria do locutor, falando em meio ao silêncio, suas palavras cortando o vazio total daquela madrugada. era como se narrasse tranqüilamente o apocalipse. para os sobreviventes ouvirem escondidos nos porões, rosto colado nas caixas de som e a pilha para acabar a qualquer momento. os canais da televisão já tinham saído do ar, os telejornais haviam dado seu boa-noite, os vizinhos tinham terminado mais uma festa infantil e agora fechavam a porta. não havia nenhuma boa nova. o dia passara sem grandes fatos, dia daqueles em que os jornalistas têm trabalho para fechar as páginas. ela sofria para fechar outras pontas soltas em meio à noite de lua nova. revoluções invisíveis, revoltas, mudanças, terror, tumulto. tudo acontecia nas ruas invisíveis do inconsciente. sentada ouvindo a locução sonolenta sem prestar qualquer atenção, pensava em seus próprios noticiários, sua história a ser contada. vivia um maio de 68 particular. tudo explodia, seu mundo desabando e a revolução tomando as ruas. tudo tão pessimista quanto agitador, sem oferecer nada mais do que esperança. não sabia ainda de que lado ficaria, ao lado de quem, se é que sobraria alguma coisa. esperava poder ouvir boas novas, fossem vindas do rádio, do telefone, da amiga, do colega de trabalho. só queria sair às ruas e saber que agora havia um rumo, ou um refúgio. só queria certezas, afinal. precisava de uma greve, silenciosa, uma fuga, sem faixas, barulho, gente nas ruas. um tempo sem tanta coisa pra pensar, sem aquela sensação de que havia tanto por vir, entre incerteza e anseios. precisava de algumas palavras certas e chances a mais. é, era isso. precisava de uma promessa e da chance de recomeçar.



Escrito por .mensonge às 04h38
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.Dedicatória

 

leia todos os sublinhados, as anotações de canto de página.
difícil de entender, garranchos e delírios.
por isso prefiro não emprestar meus livros.
sinto nas páginas a certeza de que cada frase é sua.
cada poema é o que eu queria ter escrito pra você.
perfeitos, seja na métrica, na rima, na ausência dela ou do sentido.
ultra-romântico, moderno, concreto, dadaísta, meu sentir é sempre surreal.
minha palavra é sempre fraca.
seja no papel, no blog ou na língua.
minhas promessas são falsas, fracas, leves como folha de outono.
no centro da cidade, compro uma blusa pra me proteger do frio.
sem você.
arranjo uns livros usados pra decorar novas passagens e versos. 
entro no metrô da tarde paulistana.
andei por todas as ruas que poderiam ter o seu, o nosso nome.
por onde andamos e estivemos juntos e de alguma forma ainda estamos.
vejo nosso abraço e nosso beijo debaixo daquele prédio, encostado no poste, na segunda esquina.
não sei quanto vai demorar pra passar.
quantas páginas vão descrever tudo isso.
sento no vagão e leio as palavras antigas.
no mp3 coloco aquelas músicas que cantei no seu ouvido, desafinado.
"não quero mais esse negócio de você longe de mim". 
você minha bossa, nova, perfeita, rima, poesia, alienação e canções de amor.
coloco o livro na estante, junto com tantos outros.
tento colocar você no passado, junto com tantos outros casos, descasos, junto com tantas. 
como livro grande demais, não cabe nos arquivos.
volta e meia cai aos meus pés e me lembra de nossa ficção em prosa poética.
que termina sem sentido como livro de kafka ou cd riscado.



Escrito por .mensonge às 17h19
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